Fugindo de mim mesma?

2–4 minutos

Ou apenas me encontrando longe de casa?

Em alguns momentos já me questionei se a minha vontade incessante por viajar seria uma forma de talvez fugir da minha rotina ou de algo que eu não estava gostando no momento.

Mas percebi que saber distinguir entre essa sensação ou apenas querer explorar mais o mundo foi essencial na minha vida no momento de decidir um destino ou até mesmo o roteiro da viagem.

Mesmo que, em alguns momentos, eu estivesse buscando me afastar de algo, fosse externo ou interno , todas essas viagens me ajudaram, de alguma forma, a recalcular a rota da minha vida.

Já voltei com muitos insights e reflexões: desde a vontade de abrir um negócio, começar um novo hobby, perceber que precisava economizar mais (hehe), até enxergar minha rotina de um jeito que eu simplesmente não via antes.

Tudo bem, mas por quê então saber distinguir qual o sentimento antes de decidir para onde ir?

Porque isso vai ditar o ritmo da sua viagem! Não vou falar aqui que necessariamente seria não ir haha Sou a maior defensora que viagens são sim muito benéficas, levando em consideração sua segurança, situação financeira e bem-estar.

Sendo assim, em momentos em que a cabeça está muito cheia (com entregas do trabalho acumuladas e uma rotina insana no dia a dia), a melhor escolha de viagem talvez não seja um hostel super badalado no Leblon, no Rio de Janeiro.

Esse tipo de ambiente pode acabar gerando ainda mais estímulos e cansaço, mesmo quando a escolha da viagem foi justamente para distrair a mente e aliviar o estresse.

Mesmo quando estamos de férias, o corpo leva um tempo até que consiga se sentir relaxado, alguns estudos indicam que esse prazo seria de 7-8 dias. Então continuar com estímulos constantes, mesmo nas férias, pode atrapalhar esse descanso que esteja procurando.

O destino ideal poderia ser uma cidade litorânea mais tranquila, onde consiga ficar em um quarto sozinha, faça caminhadas pela cidade e consiga equilibrar seu sistema nervoso novamente.

Alguns anos atrás, morando em São Paulo, trabalhava em uma empresa com ritmo frenético, após um ano tirei férias e fui passar um mês em Itacaré. Foi a melhor escolha que eu poderia ter feito.

Assim como é indicado nos estudos, consegui relaxar de verdade só após a primeira semana. Por mais que eu estivesse de férias, ainda estava super agitada e alerta, tanto que em uma manhã a região ficou sem sinal de celular e sem internet, entrei em leve desespero. Perguntei para várias pessoas na rua quando voltaria, chequei se poderia comprar outro chip, mas me avisaram, com a maior calma do mundo, que o sinal poderia voltar em algumas horas ou no fim do dia.

Depois percebi que esse desespero foi totalmente desnecessário, porque eu não precisava de internet para nada naquele dia. Estava de férias, não tinha nenhum compromisso, podia ir simplesmente para à praia, ler um livro, comer algo…

Enfim, ter essa consciência do que você e seu corpo precisam, para mim, é essencial para aproveitar da melhor forma as viagens. Nem que seja para ir em algum lugar e simplesmente descansar.

Tudo isso também contribui para experiências mais positivas, já que é uma escolha consciente: algo que você se propôs a fazer. Assim, você tende a estar mais aberta para viver o que aquele destino tem a oferecer.

Acredito fortemente que, quanto mais nos abrimos para a vida, mais ela se abre para nós.

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